“Onde está o processo contra Michel Temer?”, questiona Randolfe

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Senador lembra que os mesmos fatos na denúncia por crime de responsabilidade contra Dilma foram praticados pelo vice-presidente.

O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) usou seu discurso no plenário do Senado nesta quarta-feira (11) para cobrar coerência do Congresso Nacional no processo de impeachment contra a presidenta da República, Dilma Rousseff. Conforme lembrou Randolfe, as razões usadas para sustentar o golpe contra Dilma deveriam motivar um pedido de impeachment também contra o vice-presidente, Michel Temer (PMDB).

“Os mesmos fatos na denúncia por crime de responsabilidade contra a presidenta da República foram praticados pelo vice-presidente Michel Temer”, afirmou o senador. “Estamos aqui diante de uma grave incoerência. Afastaremos a presidenta da República por seis decretos que representaram dotação orçamentária de R$ 2,6 bilhões. O vice-presidente, entre novembro de 2014 e junho de 2015, assinou nove decretos com dotação orçamentária totalizando R$ 10,8 bilhões. Onde está o processo de impeachment contra o vice-presidente?”, questionou.

“Se na noite de hoje o Congresso decidir por crime, tem mais razões para afastar o vice-presidente da República do que para afastar a presidenta.”

Randolfe fez um discurso duro em relação ao governo, sustentando sua condição de oposição. Ele criticou fortamente o que considerou falta de ousadia do governo em nome da governabilidade, especialmente a ausência de políticas públicas para amplas reformas nas áreas urbana, agrária e política. Mas destacou que as conquistas dos governos do PT, ainda que distantes do ideal, estão ameaçadas por setores que chegam ao poder através do golpe.

“É verdade que tivemos nesse período conquistas sociais, milhões foram incluídos”, afirmou. “Estas mudanças estão ameaçadas por medidas que aceleração a recessão e trarão aumento do desemprego.”

O senador disse que não seria coerente “chancelar, com o voto,” a ascensão ao poder dos golpistas. E destacou que a Constituição brasileira não prevê a substituição de governos sem a ocorrência de crime de responsabilidade. “Nossa Constituição não estabelece mecanismos de controle primário entre o Executivo e o Legislativo. O Presidente da República não tem poder para dissolver o Congresso Nacional, assim como o Legislativo não tem poder para retirar um presidente sem crime de responsabilidade”, afirmou.

Por fim, Randolfe destacou a posição de seu partido a favor de novas eleições, mas reforçou a liberação para que cada parlamentar votasse com sua consciência. “A resposta não pode ser tomada por 367 deputados e um punhado de senadores”, afirmou. “Só a soberania popular pode dar a resposta à crise política.”

Da Redação

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