Montante que teria sido desviado por grupo de Cabral custearia restaurantes populares por 4 anos

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RIO – Enquanto a penúria do estado é apontada como a razão do corte de programas sociais, os R$ 224 milhões que a Justiça afirma terem sido recebidos pelo grupo do ex-governador Sérgio Cabral em três contratos com empreiteiras poderiam garantir a continuidade de projetos voltados para a população de baixa renda, como o Restaurante Popular e o Renda Melhor. Para se ter uma ideia do tamanho da propina, o montante revelado até agora pela Operação Lava-Jato representa 11% dos R$ 2,1 bilhões da folha anual de servidores.

No caso dos restaurantes populares — todos poderão fechar as portas caso o pacote de austeridade do estado seja aprovado pela Assembleia Legislativa —, os recursos desviados manteriam 16 unidades funcionando por quase quatro anos. O governo também quer parar de pagar o aluguel social de até R$ 500 mensais para cada uma das dez mil famílias beneficiadas. A economia seria de R$ 74,1 milhões ao ano. Com os R$ 224 milhões, o programa seria custeado por três anos.

O estado vem repassando para os municípios as UPAs que não tem condições de manter. Mas o dinheiro da propina poderia garantir o custeio de 11 unidades por ano, uma vez que as despesas com cada uma são de cerca de R$ 20 milhões anuais.

Para a historiadora e professora aposentada da Fundação Getúlio Vargas Marly Motta, o grande impacto da notícia do dinheiro desviado por Cabral no imaginário popular tem a ver com os compromissos do ex-governador ao longo de sua carreira política, direcionada por ele mesmo para a população mais carente:

— A carreira política dele se fez em cima de movimentos sociais. E é por isso que a imprensa vem mostrando que essa roubalheira danada poderia ter sido investida na melhoria da vida das pessoas. É uma relação chocante, que talvez tenha efeito pedagógico. A comparação poderia ser feita com qualquer outro político, mas, com ele, devido aos seus compromissos com programas sociais, causa maior impacto.

O Globo

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