Europa destaca votação na câmara como rebelião de hipócritas

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A imprensa da Europa destacou o que chamou de “rebelião de hipócritas” dos deputados que votaram pela derrubada da presidenta Dilma Rousseff no processo de impeachment conduzido por Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados.

O site da revista conservadora alemãDer Spiegel afirma que o Congresso brasileiro mostrou seu “rosto verdadeiro” e fez uso de meios constitucionalmente questionáveis para realizar o processo.

O artigo assinado pelo correspondente Jens Glüsing afirma que a Câmara dos Deputados mostrou sua “verdadeira cara” e colocou o Brasil numa “rota de direita”.

“A maior parte dos deputados evocou Deus e a família na hora de dar o seu voto. Jair Bolsonaro até mesmo defendeu, com palavras ardentes, um dos piores torturadores da ditadura militar”, escreve o jornalista, que lembra que tanto o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como o vice-presidente Michel Temer são alvos de investigações por corrupção.

Segundo a revista, os deputados que votaram a favor do impeachment vão cobrar postos no governo de Temer, caso ele assuma a Presidência da República, e que muitos deles esperam que, com a vitória da oposição, as investigações da Operação Lava Jato desapareçam.

Por sua vez, o semanário alemão Die Zeit disse que a votação mais parecia um carnaval e que uma pessoa desavisada que visse a sessão não poderia ter ideia da gravidade da situação. “Nesse dia decisivo para o destino político da sétima maior economia do mundo, o que se viu foram horas de deputados aos berros, que se abraçavam, tiravam selfies e entoavam canções”, disse o correspondente Thomas Fischermann.

“Nos discursos dos representantes do povo havia tudo o que se possa imaginar: lembranças aos netos, xingamentos contra a educação sexual nas escolas, pala paz de Jerusalém, elogios a um torturador da ditadura e assim por diante”, afirma.

Para o jornal britânico The Guardian, a Câmara dos Deputados hostil e manchada pela corrupção votou pelo impedimento da presidenta. “O ponto mais baixo foi quando Jair Bolsonaro, o deputado de extrema direita do Rio de Janeiro, dedicou seu voto a Carlos Brilhante Ustra, o coronel que comandou a tortura do DOI-Codi durante a era ditatorial”.

O espanhol El País afirmou em um trecho das reportagens que fez sobre o golpe em curso que a votação na Câmara foi marcada por tumulto e “cânticos um tanto ridículos”. O jornal destacou também que o processo tocado por Eduardo Cunha, que mantém contas milionárias na Suíça com dinheiro da Petrobras, é “um sintoma da estrutura moral de boa parte do Congresso brasileiro”.

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