Dinheiro é jogado das “torres gêmeas” durante abordagem da PF

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira a Operação Pulso, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa especializada em direcionar licitações e desviar recursos públicos da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobras), criada para alcançar autonomia tecnológica na produção de medicamentos derivados do sangue necessários para abastecimento de pacientes da rede pública de saúde no Brasil.

Estão sendo cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 29 ouvidas mediante intimações nos estados de Pernambuco, Piauí, Paraíba, Minas Gerais e São Paulo. Em Pernambuco, diligências estão sendo realizadas no município de Goiana, onde foi construída a fábrica da Hemobras. No Recife, durante diligência no Pier Duarte Coelho, mais conhecido como “as torres gêmeas”, no bairro de São José, uma grande quantidade de dinheiro jogada pela janela de um apartamento, provavelmente para livrar o flagrante durante as buscas. A PF confirma que no prédio mora o presidente da Hemobrás em Pernambuco, Rômulo Maciel Filho. No entanto, não pode garantir que as cédulas foram arremessadas do apartamento dele.

A PF também pretende cumprir dois mandados de prisão temporária expedidos contra empresários com atuação na empresa pública, entre eles, um lobista com atuação em Pernambuco, Piauí e exterior. A operação ainda recebeu a autorização para afastar três integrantes da Hemobras, dois deles membros da diretoria.

Durante um ano de investigações, a polícia descobriu que inúmeras amostras de sangue coletado, que deveriam ser transformadas em medicamentos contra a hemofilia e outras doenças, foram armazenadas de forma inadequada, tornando-se inapropriadas para a produção dos medicamentos.

Cento e setenta policiais participam da operação que se volta para as atividades ilícitas em licitações e contratos de logística de plasma e hemoderivados e na obra de construção da fábrica em Goiana, na Zona da Mata de Pernambuco.  Emtre os crimes investigados estão peculato, corrupção passiva e ativa, fraude contra a Lei de Licitações, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As penas variam de um a 12 anos de prisão.

Diário de Pernanbuco

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