Alceu Valença se insurge contra o impeachment: “o oportunismo não engolirá a República”

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Em carta aberta no Facebook, ele criticou doações privadas a campanhas e defendeu Assembleia Constituinte.

O cantor e compositor pernambucano Alceu Valença entrou no debate sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O pedido foi autorizado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no dia 2 de dezembro (quarta-feira).

Claramente decepcionado, ele comparou a política brasileira a uma partida de futebol. Antes vista como “arte do possível”, agora se resume a gritos histéricos nos bares, nas salas e nas redes, discussões descabidas. “Juiz ladrão! Falta! Cartão vermelho! Impedimento!!! Enquanto isso vamos nos afogando num Vale de lama”, aproxima, no pequeno texto repleto de frases fortes curtido por mais de 10 mil internautas e compartilhado mais de 3 mil vezes.

As doações privadas a campanhas eleitorais foram alvos de críticas. Para ele, os investimentos particulares nas candidaturas tiram a legitimidade do processo democrático. “Doações de milhões? Aliados que não têm nada em comum, a não ser o projeto de poder? Um Congresso que não congrega, que não agrega, me deixa preocupado”, questiona.

“As guerras partidárias não podem inviabilizar uma nação”, reclama. Ex-aluno da Faculdade de Direito do Recife, ele defende uma reforma política resultante de uma Assembleia Constituinte como única saída para o país. “Dura lex, sed lex” (A lei é dura, mas é a lei”) reflete, ao fim.

Leia o texto na íntegra:

“Estamos vivendo tempos nebulosos, fantasmagóricos, onde a ética e o respeito às opiniões contrárias foram relegados a último plano. A política virou a arte da traição. As alianças são feitas a partir de interesses os mais mesquinhos e sem qualquer pudor. Há anos, venho afirmando que campanhas promovidas com dinheiro de empresas privadas iriam acabar por tirar a legitimidade do processo democrático. É preciso dar descarga nos dejetos da privada. Doações de milhões? Aliados que não têm nada em comum, a não ser o projeto de poder? Um Congresso que não congrega, que não agrega, me deixa preocupado. A política para mim era a arte do possível, do diálogo, da procura de soluções. Hoje virou torcida de futebol. Juiz ladrão! Falta! Cartão vermelho! Impedimento!!! Enquanto isso vamos nos afogando num Vale de lama. Gritos histéricos nos bares, nas salas e nas redes, discussões descabidas. O Brasil não tem saída se não houver uma reforma política votada por uma Assembleia Constituinte exclusiva. As guerras partidárias não podem inviabilzar uma Nação. O país se encontra parado, no caos. A reestruturação da nossa economia não passa necessariamente por um processo de impugnação de mandato, cujos fundamentos são questionáveis e o procedimento penoso. Eu ainda acredito que há representantes públicos dignos de seus encargos e conscientes do espíríto democrático. O oportunismo não engolirá a República. Dura lex, sed lex, aprendi na Faculdade de Direito de Pernambuco.”

Diário de Pernanbuco

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