14/09/2020
Por Edilson Silva em Brasil, Policial, Política

‘QG da Propina’: mensagens e depoimentos de investigados pelo MP na gestão Marcelo Crivella

O Ministério Público analisou mais de dez mil mensagens de celular entre Crivella e um grupo de colaboradores que, segundo a acusação, mantinham o chamado ‘QG da Propina’.

As conversas sugerem que esse grupo tinha carta branca para extorquir dinheiro de empresários e não tinha pudor em colocar o próprio prefeito contra a parede, com ordens e até ameaças.

De acordo com a delação, o esquema teria começado desde o período eleitoral, em 2016. O Fantástico mostra os depoimentos e conversas inéditas.

O QUE DIZEM OS CITADOS

O prefeito Crivella divulgou dois vídeos neste sábado (12) nas redes sociais para se defender das acusações do Ministério Público.

Ele negou que tenha interferido para evitar o rebaixamento das escolas de samba Grande Rio e Império Serrano, em 2018. Segundo Crivella, a prefeitura foi consultada e respondeu que a decisão caberia apenas à Liga das Escolas de Samba, mas Crivella não respondeu às principais denúncias do inquérito do MP.

Segundo o prefeito, as buscas feitas pelo Ministério Público em sua casa e em seu gabinete, na prefeitura, nada encontraram. Ele disse que é acusado de tudo, mas não é réu em nenhum processo.

Crivella reuniu ao seu redor a equipe da prefeitura que responde pelas licitações e que, segundo ele, são todos servidores de carreira com mais de 30 anos de serviço. Ele afirmou que tem absoluta certeza de que todas as licitações foram conduzidas, nas palavras do prefeito, “pelo sagrado interesse do povo”.

Marcelo Crivella disse ainda que cobrou na Justiça bilhões desviados por empresas e abriu processo disciplinar contra funcionários condenados na Lava Jato e que foi ele que abriu também processo contra as organizações sociais que praticavam ilícitos na área da saúde e proibiu novas contratações com o setor público, além de ter aplicado multa milionária à OS Iabas. Essas ações, segundo ele, incomodam muita gente.

E neste domingo (13), a prefeitura do Rio refutou as acusações do Ministério Público sobre as negociações com o Grupo Assim Saúde. Em nota, disse que o processo de contratação do plano de saúde dos servidores foi aberto a todas as operadoras e que a Assim Saúde foi a única a apresentar uma proposta. O Grupo Assim Saúde não comentou a acusação de que teria pago propina em troca do contrato. Em nota, disse apenas que vem tentando junto à prefeitura equilibrar economicamente o contrato diante do aumento de custos de operação.

A defesa de Marcelo Faulhauber, ex-marqueteiro do prefeito, afirma que ele não participou de nenhum esquema criminoso e que está pronto a prestar todos os esclarecimentos às autoridades. O advogado do empresário Rafael Alves disse que as acusações contra ele são precipitadas e não têm compromisso com a verdade e que o Ministério Público interpretou as mensagens encontradas no celular de Rafael de forma malévola e enviesada. A LIESA, Liga das Escolas de Samba, e as escolas Grande Rio e Império Serrano não quiseram se manifestar.

O ex-coordenador de campanha de Crivella, Mauro Macedo, não respondeu aos contatos do Fantástico.

No sábado, o Jornal Nacional mostrou que o Ministério Público afirma ter encontrado indícios de que a Igreja Universal do Reino de Deus foi usada para lavar dinheiro da corrupção na prefeitura do Rio na gestão de Marcelo Crivella. Os investigadores citaram movimentações atípicas de quase R$ 6 bilhões, em um ano, nas contas da Universal.

Em nota, a Igreja Universal do Reino de Deus disse que não foi legalmente citada sobre as denúncias e que ignora a existência do documento relativo a elas e classificou de imoral o que chamou de vazamento de informações por autoridades sem que a parte envolvida saiba de investigação. Diz ainda que toda sua movimentação financeira é “completamente lícita” e declarada aos órgãos competentes.

A igreja também afirma que, sobre o prefeito Marcelo Crivella, “qualquer bispo ou pastor que decide ingressar na carreira política licencia-se de suas funções na igreja, passando a se ocupar exclusivamente da atividade pública”.

A Universal diz ainda que não há nenhuma relação financeira entre Marcelo Crivella, suas campanhas políticas e a igreja e que não participa direta ou indiretamente de atividades político-partidárias no Brasil e em nenhum dos outros países onde desenvolve atividade missionária.

A Universal também afirma que “nos últimos 30 anos, nenhuma instituição religiosa brasileira foi tão perseguida, atacada, fiscalizada e julgada com a Universal. Alega ainda que em todos os procedimentos, a igreja e seus oficiais foram inocentados”. E conclui afirmando que os autores da denúncia que classifica de infâmia, responderam na Justiça pelo que chama de falsas acusações e preconceitos contra cristãos.

Fantástico – G1



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