28/11/2015
Por Edilson Silva em Jucurutu, Política

Jucurutu: Distorções marcam o que deveria ter sido uma audiência pública

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A quem interessa isso? Será que houve benefício aos mais de 500 servidores que não estiveram presentes? Ou será que o intuito foi puro e simples político?

Na noite de quinta passada, 26/11, a Câmara Municipal de Vereadores de Jucurutu realizou um evento que se propunha a debater a questão da previdência própria para o município, mas não foi o que se viu, pois o que deveria ser uma audiência pública, mais pareceu uma sabatina ao prefeito George Queiroz, dado o bombardeio de perguntas direcionadas ao Chefe do Executivo Municipal, sem que houvesse, em sua maioria, ligação com o tema ali discutido.
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O vereador Márcio, propositor do evento, controlou tudo, começando pela composição da mesa que, para ser democrática e justa, deveria ter sido dividida meio a meio, porém, isso não foi respeitado, já que a grande maioria dos convidados claramente tinham posicionamento contrário à implantação da previdência própria, maculando assim a lisura daquele evento.
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Mesmo diante do nítido orquestramento articulado para aquele debate, em que o interesse político passou por cima do interesse dos servidores, o prefeito George, de forma calma e coerente, tratou de explicar tudo o que lhe foi questionado e tratou de deixar claro seu objetivo: “nossa intenção, desde o início, é contribuir para o bem do servidor público. Tanto assim, que já no primeiro mês de nossa gestão implantamos o pagamento de 13º na data do aniversário de cada servidor e, além disso, promovemos concurso público para qualificar e valorizar ainda mais a categoria”, concluiu o prefeito.
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Dispostos a sepultar qualquer possibilidade daquele tema seguir adiante, os organizadores promoveram um verdadeiro cerceamento e desrespeito aos 4 palestrantes representantes de previdências próprias dos municípios vizinhos, que foram impedidos de falar pelo vereador Márcio – o que notadamente tornou o debate tendencioso, distorcido, nada democrático, já que não foi dado igual espaço para que os dois lados pudessem ser devidamente mostrados, com seus prós e contras, a fim de que os servidores pudessem decidir com segurança o que seria melhor para eles.
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Houve ainda a completa falta de critérios por parte do controlador do evento, pois fora dado por ele 10 minutos para alguns palestrantes, 20 minutos para outros, alguns sequer puderam falar sem interrupção durante o tempo que lhes fora reservado, sem falar que o discurso dos oradores contrários à previdência própria foi flagrantemente marcado por meias verdades que apenas estavam a serviço de manter os servidores alheios ao funcionamento de uma previdência própria.
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A situação foi tão constrangedora que, tentando forçar a barrar para assustar os servidores, um dos convidados pelo vereador Márcio, representante da FETAN, afirmou que “a previdência de Olho d´Água do Borges tem um rombo de R$ 10 milhões de reais”,  o que, de imediato foi duramente desmentido pelo representante de Olho d´Água ali presente, que tratou de apresentar os dados verdadeiros: “gostaria de tranquilizar todos aqui presentes, pois diferentemente do que o rapaz disse, a previdência de Olho d´Água tem é um lucro de R$ 1,1 milhão de saldo em caixa. Até porque, pagando apenas 13 aposentadorias em 2 anos, seria preciso o salário de cada um deles ser próximo de R$ 500 mil mensais para chegar ao valor que ele de forma leviana e tendenciosa falou”, finalizou o Assessor de Olho d´Àgua.
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Ao final da reunião, o prefeito George, de forma elegante e democrática, agradeceu a todos os presentes, retirou o projeto de pauta da Câmara e ofereceu todo apoio ao sindicato dos servidores para amadurecer ainda mais o tema: “amanhã mesmo encaminharemos a esta casa ofício para retirar o projeto de pauta e, desde já, aproveito pra agradecer a todos que vieram aqui para nos ouvir – embora isso não tenha sido feito com igualdade de tratamento -, e já deixo me coloco à disposição do sindicato para visitar previdências e discutirmos o assunto com maior profundidade“, concluiu.
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O resumo da ópera traz consigo a constatação de que aquele encontro não serviu ao seu propósito, visto que não deu ao servidor a plena condição de conhecer os dois lados da moeda e assim poder firmar opinião sobre o assunto. Afinal, marcado pela distorção desde o começo, a legitimidade da pretensa audiência ficou maculada, visto que ali havia apenas cerca de 10% dos servidores municipais presentes (percentual insuficiente para definir a opinião da categoria), houve grande desigualdade na proporção de oradores em favor do posicionamento contrário à previdência própria e, o mais constrangedor de tudo, a deselegância e desrespeito aos palestrantes da previdências vizinhas, arbitrariamente proibidos de relatar a realidade.
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A quem interessa isso? Será que houve benefício aos mais de 500 servidores que não estiveram presentes? Ou será que o intuito foi puro e simples político? Essas são questões que estamos aqui passando a limpo…
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Via Passando a Limpo   



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